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Assembleia de Provinciais, Gerais e Bispos – Relatório Geral

A assembleia iniciou às 08h30min do dia 09 de junho de 2021, por plataforma digital. A mediação foi feita por Ir. Cleusa Maria Andreatta e Frei Vanildo Luiz Zugno, da equipe de reflexão da CRB/RS. Frei Vanildo fez a abertura da assembleia, acolhendo as/os participantes e ressalta a presença expressiva de 76 participantes.

Ir. Aldinha Inês Welzbacher, coordenadora da CRB/RS, saúda a todas/os provinciais e gerais; e, todos os bispos, em nome da equipe de coordenação, e destaca a importância do momento, para manter viva a comunhão como “Igreja em saída”, sinodal e samaritana. Deseja uma assembleia inspirada no dinamismo trinitário e sob as luzes do Espírito Santo. Torna presente aos temas a serem refletidos e acolhe o assessor e a assessora:

1º Tema – “Olhar o presente na Igreja e VRC, com perspectiva de esperança em relação ao futuro” (realidade) Assessor: Pe. Inácio Neutzling – SJ

2º Tema – “Espiritualidade integrada e integradora, alicerce da VRC em tempos de incertezas”. Assessora: Ir. Maria Freire da Silva – ICM.

Dom José Gilson, presidente do Regional Sul 3 da CNBB e bispo da Diocese de Caxias do Sul saúda a todos/as. Ressalta as dificuldades de nos encontramos presencial por causa da pandemia. Afirma que nós somos a Igreja povo de Deus e deseja uma caminhada que olha com os olhos do coração a vida, a realidade do povo e tudo que toca a Igreja e a Vida Religiosa Consagrada. Num contexto de polarização, que o foco seja de comunhão e de deixar Deus falar ao coração. Como discípulos/as colocar-se à escuta, para caminhar juntos com novo ardor e fortalecer a comunhão.

Pe. Paul e Frei Nestor Schwartz conduzem a oração a partir do evangelho do dia Mt5, 21-26, que indica a prática do amor como a maior lei, e desejam o mesmo para a assembleia. Tornam presente a memória de Pe. José de Anchieta, “apóstolo do Brasil”, engajado nas comunidades originárias, que soube se inculturar, dando testemunho de coragem. Destacam a palavra do Papa Francisco da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate n.139: “Peçamos ao Senhor a graça de não hesitar quando o Espírito nos exige que demos um passo em frente e peçamos a coragem apostólica de comunicar o Evangelho aos outros e de renunciar a fazer de nossa vida um museu de recordações…”

Ir. Cleusa apresenta o Pe. Inácio, o acolhe e retoma o tema a ser abordado por ele: “Olhar o presente na Igreja e VRC, com perspectiva de esperança em relação ao futuro”.

Pe. Inácio situa a realidade do momento citando a Fratelli Tutti e a Laudato si’. A Fratelli Tutti está dentro da proposta da modernidade: Fraternidade e liberdade. Ressalta a economia do Papa Francisco.  Traz presente a crise de 2008 e destaca que na época não foram pensadas alternativas de uma economia a serviço da humanidade. E a crise atual da pandemia, agrava esta realidade e se caracteriza como “sombra de um mundo fechado”.  A pandemia revela a realidade do mundo.  É uma crise inesperada e que provocou uma crise global, caracterizada como uma policrise, uma engrenagem de crises interligadas ou concatenados, que exige a capacidade de um novo pensar, capacidade de fazer ligações. A carência humana hoje é uma carência de pensamento. A espiritualidade cristã requer discernimento. Vivenciamos uma crise planetária que revela uma crise existencial, política, econômica e social(desigualdade) . Citou por exemplo 120 milhões de brasileiros estão sem segurança alimentar.  É tempo de incertezas que exige aprender a pensar e perceber que não é possível separar-nos do planeta. É crise planetária e de humanidade. A pandemia radicalizou estas crises. Há necessidade de uma formação social, que é constitutiva da Igreja e proposta de uma rede universal, para suprir as necessidades existentes.

Pe. Inácio ainda fala da crise civilizacional, que há carência de solidariedade diante das exclusões que vivemos. Há uma intoxicação de consumismo desenfreado e a VRC tem a possibilidade de inspirar um outro estilo de vida. Porque o estilo de vida humana atual é insustentável. Precisamos de uma política de civilização. Com a crise intelectual as evidentes se tornam invisíveis. Qual é a missão da Igreja? É repensar e relançar com fidelidade ao Evangelho. Há necessidade de pensar e recuperar pequenos gestos humanitários, deixar-se tocar pelas feridas da humanidade e lembrou os números 31 e 169 da Evangelii Gaudium. Sugere retomar os quatro pilares apresentados na Evangelii Gaudium (EG): – abandonar o cômodo, o imobilismo, que exige ousadia e criatividade (n.33); – ouvir a todos (n.31); – sair de si ao encontro do outro, em que a Igreja é uma grande sala onde todos podem entrar, uma “Igreja em saída”, missionária, como resposta à doação gratuita de Deus (n.179); – concentrar o anúncio no essencial (n.35). Num comentário sugere que o essencial é a palavra de Deus. Assim encerrou a primeira parte da reflexão.

Como continuidade a Ir. Maria Freire faz a reflexão sobre: “Espiritualidade integrada e integradora, alicerce da VRC em tempos de incertezas”. Serviu-se de uma apresentação em PPT. Sua reflexão foi a partir da Teologia da Trindade, com uma mística de saber mergulhar no mistério de Deus, que envolve o ser humano e a “Casa comum”. Movimento interior que perpassa a dinâmica antropológica, tendo o corpo como espaço onde se dá este encontro com a Trindade. Isto exige uma metanóia, que rasga e reconstrói novamente a relação com Deus. É um itinerário de conversão. A missão do ser humano no universo é fazer a comunhão presente no universo e essa ação acontece na força da Divina Ruah. O rosto de Cristo é integrado em toda a criação, no centro do Universo. Diante desta crise ecológica ambiental o desafio é ver a Trindade se movimentando e integrando esta criação.

Espiritualidade integral e integradora toca o coração, como a música, os poemas…Tocar o coração, tocar as feridas dos pobres, para reintegrá-los através de gestos relacionais.

Conforme São Boaventura são três os elementos principais daqueles/as que se põe a caminho do seguimento de Jesus Cristo: perscrutátio, contemplátio e glorificatio. (aspectos que poderão ser encontrados no PPT, anexo).

A perscrutátio:  Compreensão da vontade de Deus.

A contemplátio: Nossa alma como meio de espelho.

Trindade é o modelo para fraternidade. A oração da Igreja vai para o Pai pelo Filho no dinamismo do Espírito Santo.

Glorificatio: a mística é calar-se diante do mistério de Deus como diz santo Ambrósio “limpar o ouvido”.

A VRC exige ter ouvido – ser ouvinte da Palavra, que penetra a mente, coração e entranhas. É uma dinâmica mistagógica em que a vida contemplativa e o seguimento de Jesus se encontram e se fecundam. Espiritualidade é dinamismo trinitário de Deus e um itinerário de amor, uma das experiências mais belas e encontra-se no centro do AT e do NT através do Cântico dos Cânticos.

A espiritualidade integral e integradora exige comunhão e unidade. Dá sentido de vida e fortalece a vivência da esperança, que somos convidados a testemunhar através dos carismas. Estes se atualizam ouvindo a realidade das pessoas e da criação. E dão uma resposta ao que a vontade da Trindade Santa nos pede. E conclui sua reflexão rica e profunda reflexão com a “Oração em tempos de incertezas”. Encerrou a segunda parte da reflexão e fomos para o intervalo.

Após o intervalo, Ir. Cleusa coordenou o tempo de ressonâncias em relação ao conteúdo e perguntas. Houve várias expressões de gratidão ao Pe. Inácio e à Ir. Maria Freire pela objetividade, visão crítica e responsável com elementos iluminadores e de discernimento. Foi parabenizado a integração dos dois temas abordados. Estabeleceu-se um diálogo entre a assembleia e o/a assessora e entre os/as participantes, numa busca de respostas e caminhos.

Algumas perguntas feitas: – Em que sentido uma análise pode nos mobilizar e/ou nos desmobilizar para ações concretas? – Como entender o que o Espírito nos pede na complexidade que vivemos? – Como não se intrigar diante desta realidade? – Como lidamos com a economia em nossas instituições? Onde investimos o dinheiro? – Como contribuímos no cuidado da Criação – Casa comum? Por que temos tanta dificuldade de somar as forças numa dimensão profética, como Igreja e VRC? Que diferencial temos em nossas instituições, pastorais, projetos socais…? Onde nos situamos ou estamos? Em cima do muro?

Muitos caminhos e respostas estão na mudança de mentalidade, mudança no estilo de vida, no criar uma outra “cultura”. Temos campos de ação possíveis de realizar algo diferente e transformador. Ser testemunhas do sentido da vida e da esperança. Importância de não “fugir” do confronto com a Palavra de Deus, que nos tira do comodismo e nos indica caminhos libertadores. Buscar sentido, para permanecer em pé e testemunhar a verdade que acreditamos, que transcende. Implica ser empática, mergulhar nesta realidade e buscar resposta ao que a Trindade pede neste momento. A Trindade é entrega. O coração da Trindade é a cruz. O dom do ressuscitado é a consolação, a paz.

Jesus ensina os discípulos no caminho e nós aprenderemos também no caminho cheio de ondulações, que é a realidade. A pandemia nos coloca num “festival de incerteza” e este nos coloca em movimento diante destas incertezas. Necessidade de ficar atentas/os ao Espírito que é consolador, dá fortaleza, ilumina e acompanha. Cultivar uma espiritualidade profética. Profetismo comunitário, de unir forças. A profecia maior é a esperança. Talvez ainda sejamos muito competitivos, vaidosos, individualistas, com medo de perder a fama e isto dificulta o trabalho conjunto. Falta nos “antenar” de que tudo está interligado, também entre as Congregações, na Igreja e entre as igrejas cristãs. Temos medo de nos perder no todo. Para ser profeta há necessidade de comunhão, sinodalidade e, como o Papa Francisco, nos orientar pelo Evangelho, pela opção pelos pobres.

O caminho de Jesus é o espaço de sua revelação. A chave trinitária é uma espiritualidade integradora. A trindade é amor e relacional. É dançante. P O ressuscitado é aquele que consola desejando a paz e espantando o medo. A construção do diálogo para a paz é o caminho da ressureição.

Concluindo o Frei Vanildo agradece a presença de todos/as e definiu a assembleia como uma pequena expressão de sinodalidade na VRC e Igreja. Importante construir o diálogo como caminho e desejou que o Espírito Santo continue orientando-nos. Lembrou que será encaminhado um instrumental de avaliação, juntamente com o material solicitado.

Ir. Aldinha agradece o gostoso encontro e ao mesmo tempo comprometedor, onde juntos/as buscamos luzes e respostas às nossas perguntas e inquietações. Convidou Dom José para dar a palavra e bênção final. Dom José agradece a todos/as pela presença e a partilha das angústias e esperanças, agradece à Equipe da CRB e lembra os sacerdotes, religiosos e religiosas, que partiram para o Pai durante a pandemia. Deseja que, tudo o que ouvimos, abra os corações e que o sopro do Espírito ajude a olhar a realidade e o futuro com confiança e esperança. Olhar a vida com a esperança de Maria e a nos colocar a serviço do Evangelho. Servir e caminhar como Maria. Concluiu com a bênção da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Secretaria: Ir. Lurdes Luke e Pe. Charles Wilner

Além disso, verifique

Mensagem da nova Coordenação da CRB/RS

Saúdo o  representante da CRB Nacional, Ir Olavo Dalvid Presidente da Assembleia: Pe  Itacir Brassiani; …